
Paz ou trégua, o armistício entre Israel e o Hamas?
dezembro 2, 2025
Direito de conquista
dezembro 2, 2025Vivemos, atualmente, uma crise de autoridade. O mundo se apresenta conturbado e incapaz de assegurar uma convivência pacífica entre os diversos povos. Não se trata de uma situação inédita, mas, seguramente, uma das mais perigosas. Rememoremos.
E m um passado remoto, os homens foram identificados como vivendo em um estado de natureza. Condição que pressupunha a plena liberdade e igualdade de direitos. Cada um vivia e agia conforme as determinações de sua vontade. Ninguém devia satisfações de seus atos. Contudo, essa liberdade irrestrita cobrava seu preço. Sem regras, sem lei, não há crime. E sem o controle dos apetites, imperava a insegurança. Roubos, assassinatos e toda sorte de atrocidades integravam o estilo de vivência.
Alguns estudiosos do assunto sugeriram que, por força dessas supostas circunstâncias, os homens se reuniram e fundaram sociedades. Firmaram contratos, por meio dos quais, cada um renunciava a uma parte de seus ilimitados direitos e liberdade, transferindo-os a um governante, em benefício de uma vida comum mais segura. Não nos cabe discutir aqui o mérito dessas proposições. Mas, sem dúvida, independentemente dos processos de formação das sociedades e do estabelecimento de normas, a criminalidade deve ter diminuído sensivelmente. Porém, o decréscimo ocorreu no interior das comunidades. Entre elas, o estado de guerra persistiu. E até em nossos dias não fomos capazes de instituir um poder ou poderes que regulassem o concerto entre nações. Em termos globais, perseveramos no estágio primitivo, o estado de natureza. Ao longo de nossa história, essa carência de autoridade foi, para o bem ou para o mal, suprida por nações mais poderosas. Há pouco tempo, por exemplo, contávamos com a regência norte-americana no Ocidente e em alguns pontos dispersos no planeta; enquanto os países do leste se submetiam à hegemonia soviética, comandada pela Rússia. É claro que desfrutávamos de uma paz armada. E diuturnamente ameaçada de se romper. E também, vez por outra, algumas nações subordinadas sofriam danos praticados por seus tutores disfarçados de parceiros. Contudo, ainda assim, prevalecia, pelo menos, uma expectativa de respeito mútuo. Ou medo. Atualmente, porém, as coisas mudaram. Com o desaparecimento da União Soviética, o início da decadência dos Estados Unidos, a ascensão da nação chinesa, o despontar econômico da Rússia e da Índia, a constituição do bloco BRICS, a eclosão disseminada do movimento extremista de direita, tudo concorrendo para alterar as relações internacionais de poder; nessa nova configuração, o cenário mundial apresenta-se sombrio. As garantias se tornam mais frágeis. Agora, os antigos “pacificadores”, Estados Unidos e Rússia, despontam como as principais ameaças da desordem global. Com o poder econômico e militar acumulados, julgam-se no direito de insultar, intimidar, invadir, bombardear, sem que haja contrapoderes capazes de os deter. E não é segredo que tanta confiança esteja ancorada nos arsenais nucleares de que cada um dispõe. A Rússia faz questão de revelar publicamente esse seu trunfo, a fim de advertir que não está disposta a aceitar interferências em seus propósitos. Que fazer? A quem recorrer?



