
Uma tensão no ar
dezembro 2, 2025
Vem aí a Terceira Guerra Mundial?
dezembro 2, 2025O filósofo Aristóteles defendia o direito de conquista e domínio de certos indivíduos humanos sobre outros. Para ele, a exiguidade de razão apresentada por uns os credenciava a serem escravos daqueles mais bem dotados dessa faculdade. De acordo com seu argumento, a distribuição desigual da razão ocorria por determinação da natureza. Portanto, era a própria natureza que autorizava o domínio, inclusive consentido no recurso à guerra, caso os inferiores resistissem.
C ertamente, essas proposições não pareceram esdrúxulas aos contemporâneos do filósofo. Decerto, nem mesmo às instituições democráticas emergentes naquela época e lugar. Afinal, faz bem mais de dois milênios que essa concepção foi pronunciada. A humanidade se encontrava nos primórdios de sua formação intelectual e civilizatória. O pensamento humano teria muito a evoluir de lá para cá.
Sim, poderíamos tentar justificar o que hoje soa como um disparate. Mas o que ocorreu ao longo desses milênios, supostamente dedicados ao refinamento da conduta e do pensamento humanos? Deixemos de lado os tempos antigos, a título de concessão. Adentremos a época moderna: o que ficamos sabendo sobre as práticas colonialistas e imperialistas ao redor do mundo tomado como de terceira categoria, senão invasão, dominação, roubos e massacres? Ora, já em pleno século XVIII, o filósofo iluminista Montesquieu reforçou a tese aristotélica, ao emitir parecer semelhante. E o fez exatamente no espaço onde floresceu o preceito da liberdade, igualdade e fraternidade. Logo depois dele, as nações industrializadas conquistaram territórios, fundaram impérios mundo afora, partilharam a África; até o Brasil apresentou seu pendor atávico, vitimando o Uruguai. Em seguida, Hitler e Stálin empreendem suas campanhas, comprovando que a ideologia expansionista se mantinha intacta. Atualmente, o fantasma do direito de conquista se ergue de novo. A Rússia, que há pouco tempo arrancou a Criméia do poder da Ucrânia, agora exige mais uma faixa do território como condição para findar uma guerra que ela própria iniciou por conveniência. E ainda ameaça com arsenal nuclear a quem interferir em seus propósitos. Os Estados Unidos declararam seu interesse pelo Canadá, Groenlândia e Panamá. No Japão, uma nova liderança emerge declarando seu temor à China. Até a Venezuela resolveu declarar seu apetite, tumultuando o sossego do vizinho Esequibo. Por que tanta megalomania? Provavelmente, o interesse econômico está presente em todas as iniciativas. Mas, este é o único motivo? O que há na natureza humana que faz desenvolver nos homens o espírito de grandeza e os predispõem ao conflito? Abordo esse assunto em A utopia do ser cordial.




